Novo procedimento para combater a fibrilação atrial

O AVC é o principal temos para aqueles que sofrem com a fibrilação atrial, que hoje é a arritmia mais comum nos consultórios médicos.

O objetivo da cirurgia é vedar uma parte do coração de onde se desprendem os coágulos que causam o AVC. O Amplatzer Cardiac Plug veda a entrada do apêndice atrial esquerdo e obstrui a passagem de sangue. Com isso, impede que o coágulo formado dentro do apêndice seja expelido para o átrio, caindo na circulação e causando o AVC. Com a colocação desse dispositivo, reduz-se para menos de 2% a chance de ocorrer este acidente, explica o médico Carlos Kalil, responsável pelo serviço de arritmias do Hospital São Lucas da PUCRS, em Porto Alegre.

Atualmente, apenas cerca de mil pacientes no mundo realizaram o procedimento, sendo poucos deles no Brasil (em São Paulo e no Rio de Janeiro).

Feito com anestesia geral, a cirurgia dura cerca de duas horas e o paciente é liberado após 24 horas. O procedimento ainda é particular, mas a liberação para os planos de saúde já foi encaminhada à Agência Nacional de Saúde (ANS).

Confira a entrevista com o médico aqui.

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Uma opinião sobre “Novo procedimento para combater a fibrilação atrial

  1. MW

    19/11/12 Cientistas descobrem que as arritmias cardíacas são provocadas por pontos elétricos específicos …
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    Cientistas descobrem que as arritmias
    cardíacas são provocadas por pontos elétricos
    específicos
    Tratamento da anomalia, que atinge até 15% dos idosos, pode ficar mais eficaz
    Marcela Ulhoa –
    Publicação: 07/08/2012 08:49 Atualização:
    Pesquisadores da Universidade de San Diego, na Califórnia, apresentaram um novo método capaz de
    dobrar o sucesso no tratamento de arritmias cardíacas. Isso porque, pela primeira vez, foi constatado que
    pequenos “peões” elétricos no coração, mais conhecidos como rotores, são os causadores da fibrilação
    atrial (FA). O coração de um adulto normal bate de 60 a 80 vezes por minuto, em repouso. Entretanto, em
    pessoas com o distúrbio, impulsos elétricos caóticos gerados nas câmaras superiores do coração acabam
    por resultar em batimentos rápidos e irregulares.
    O cardiologista e autor principal do estudo, Sanjiv Narayan, explica que, antes de seu trabalho, muitos
    cientistas acreditavam que a fibrilação atrial era causada por múltiplas ondas aleatórias. “No entanto, nós
    mostramos que, na verdade, ela é provocada por pequenos ‘peões’, que chamamos de rotores, ou ‘fontes
    focais’, similares às ondulações causadas por pedras jogadas na água, que interagem para provocar a
    ilusão de um caos”, diz Narayan. Segundo ele, a origem da fibrilação atrial não se dá de forma
    desorganizada. Pelo contrário, na maioria de seus pacientes ela estava relacionada a um, dois ou mesmo
    três pontos focais bem localizados. Entretanto, em cada pessoa, esses pontos podem ser encontrados em
    diferentes regiões.
    Além de inaugurarem uma nova forma de pensar a origem do distúrbio, os pesquisadores conseguiram
    desenvolver uma técnica capaz de mapear precisamente onde se encontram os pontos focais responsáveis
    por gerar caóticos sinais elétricos nos átrios. Por meio da aquisição da imagem do coração de um
    paciente com fibrilação, os médicos compararam o movimento espiralado do rotor elétrico com o olho de
    um furacão. Segundo eles, ao encontrar esse ponto exato é possível eliminá-lo e, assim, acabar com a
    arritmia.
    Depois do mapeamento dos pontos críticos, a técnica utilizada para acabar com os batimentos irregulares
    do coração é a já conhecida ablação por cateter, também chamada de cauterização. Ou seja, a base do
    processo é a mesma; o que muda é que, agora, é possível atacar o alvo com muito mais precisão,
    aumentando de 40% para 86% o sucesso do tratamento. Narayan ressalta que o resultado foi confirmado
    por meio da aplicação do método batizado de Impulso Focal e Modulação de Rotor (Firm), em mais de 200
    pacientes espalhados por oito estados norte-americanos.
    Depois de mais de dois anos de acompanhamento, os pesquisadores viram que a maioria das pessoas não
    voltavam a apresentar arritmia no coração. Esse foi um grande avanço, pois, pela cauterização
    tradicional, depois da primeira intervenção, o problema reincide em cerca de 50% dos pacientes. Com
    isso, é comum que o procedimento seja repetido, o que, de certa forma, agride mais o coração. Além
    disso, após a repetição do procedimento o sucesso aumentava em apenas 60% a 70% dos casos.
    Empirismo
    De acordo com Adalberto Lorga Filho, presidente do Departamento de Arritmias Cardíacas da Sociedade
    Brasileira de Cardiologia, a presença dos rotores e a atividade focal já era conhecida em várias formas de
    arritmia, entretanto, para a fibrilação atrial não existia uma forma de identificar precisamente o olho do
    furacão. “Antes, fazia-se uma série de aplicações de cateter no coração de forma meio empírica, até
    encontrar os pontos cruciais do mecanismo. Nessa tentativa, entretanto, corríamos o risco de criar outras
    arritmias que não existiam antes da intervenção”, conta Lorga.
    “Até o nosso trabalho, os médicos tratavam regiões muito amplas do coração com cauterização, e às
    vezes o procedimento chegava a queimar um terço do músculo. Nós mostramos que ablações muito
    rápidas nos pequenos pontos específicos podem tratar o ritmo anormal, cauterizando apenas uma
    porcentagem pequena do coração”, enfatiza Narayan. Segundo o cardiologista, pelo novo método de Firm
    é possível que a intervenção dure apenas de cinco a 10 minutos. Atualmente, o procedimento padrão leva
    mais de uma hora.
    Narayan ressalta que, mesmo depois do êxito da cauterização, é importante ter certeza que os pacientes
    não permanecem com fibrilação atrial sem saber, o que é chamado de FA assintomática ou silenciosa.
    Para tanto, em seu estudo, o médico implantou cirurgicamente monitores especiais de eletrocardiograma
    na maioria dos pacientes, de forma a assegurar que a FA silenciosa não estava presente. “Esse é um nível
    muito difícil de alcançar. Estamos, portanto, confiantes de que nossa abordagem por Firm tem os
    melhores resultados na eliminação de fibrilação atrial relatados”, defende ele.
    Uma importante questão levantada pelo estudo de Narayan foi a correlação usual entre as veias
    pulmonares e a origem da FA. “Nós observamos em nossos pacientes que as fontes dos distúrbios
    19/11/12 Cientistas descobrem que as arritmias cardíacas são provocadas por pontos elétricos específicos …
    em.com.br/…/cientistas-descobrem-que-as-arritmias-cardiacas-sao-provocadas-por-pontos-eletric… 2/2
    encontravam-se bem distantes do princípio das veias pulmonares. Entretanto, as atuais cauterizações são
    focadas exatamente nessas veias. Além disso, os pontos focais estão presentes tanto no átrio esquerdo
    quanto no direito”, relata. Segundo Narayan, atualmente, os médicos tratam, predominantemente apenas
    o lado esquerdo, o que seria um erro.
    Rapidez
    Sob novo protocolo, a equipe de pesquisadores da Universidade de San Diego está testando mais ablações
    por Firm, mas agora sem cauterizar áreas perto das veias pulmonares. Como as intervenções nesses
    locais necessitam de um cuidado redobrado para não comprometer o sistema de oxigenação por
    entupimento das veias, elas tomam muito mais tempo do que as cauterizações realizadas em outras
    áreas. Dessa forma, o que os pesquisadores propõem é um método mais rápido e com um potencial de ser
    seguro e mais eficiente do que as formas tradicionais de ablação.
    Para Lorga Filho, apesar de o novo trabalho trazer um boa expectativa de melhora do sucesso da ablação
    de FA, é preciso ter cautela e esperar as próximas publicações que confirmem o avanço do estudo.
    “Também temos que pensar na viabilidade do método, na possibilidade de adquirir esses equipamentos e
    de reproduzir os serviços”, alerta.
    Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, em pessoas com mais de 80 anos a incidência de fibrilação
    atrial crônica na população chega a atingir níveis entre 10% a 15%. Além disso, cerca de um em cada 10
    mil jovens tem FA. Nesses indivíduos, a doença é geralmente intermitente, mas pode se tornar crônica
    em 25% dos casos. Muitos pacientes não apresentam sintomas, porém, palpitações rápidas e irregulares
    são as mais comumente referidas, principalmente nos casos agudos. Devido à perda da contração atrial,
    existe uma redução da função cardíaca, que pode acarretar alguns sintomas, como respiração curta, falta
    de ar, tonturas ou vertigens e dor no peito.
    O cardiologista Anderson Rodrigues, do Laboratório Sabin, diz que o tratamento da fibrilação atrial é feito
    de acordo com a gravidade do caso. Em arritmias mais brandas, a melhor opção é o acompanhamento
    clínico, com medicamento. Já em casos mais complexos, tanto os exames de mapeamento dos pontos
    focais quanto o tratamento requerem métodos mais aprofundados. “A cauterização é um método
    invasivo, você tem de furar a virilha do paciente para implantar o cateter. Portanto, se você pode tratar
    com remédios, é melhor do que submetê-lo à ablação”, defende. Segundo ele, o novo método pode ajudar
    no tratamento da doença, já que a forma mais precisa para encontrar os focos de arritmia pode agilizar o
    processo e diminuir o risco da cauterização em pacientes com arritmia grave.
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